VATICANO, 30 Mar. 17 / 10:15 am (ACI).- Na homilia da Missa celebrada na manhã de hoje em Santa Marta, o Papa Francisco pediu aos fiéis para se perguntarem se desapontaram a Deus e se são escravos de alguns ídolos que o afastam dele.
As palavras do Santo Padre se centraram nesta ocasião no “sonho e na desilusão de Deus” e, ao comentar sobre a leitura do Livro do Êxodo, recordou que o povo “trai” os sonhos do Pai e Deus “começa a se sentir desiludido”.
Trata-se da passagem bíblica na qual Deus chama Moisés para entregar-lhe as Tábuas da Lei, mas enquanto isso o povo “não teve a paciência” e fez um bezerro de ouro, um deus “para se divertir”, e se esqueceram do “Deus que os salvou”.
“Esquecer Deus que nos criou, que nos fez crescer, que nos acompanhou na vida: esta é a desilusão de Deus. E muitas vezes no Evangelho, nas parábolas, Jesus fala daquele homem que fez uma vinha e depois faliu, porque os operários a queriam para si”.
“No coração do homem, há sempre esta inquietação! Não está satisfeito com Deus, com o amor fiel. O coração do homem está sempre orientado para a infidelidade. Esta é a tentação”, acrescentou.
Deus, “por meio de um profeta, repreende este povo” que “não tem constância, não sabe esperar, se perverteu”.
“E há a desilusão de Deus: a infidelidade do povo… E também nós somos povo de Deus e conhecemos bem como é o nosso coração e todos os dias devemos retomar o caminho para não escorregar lentamente em direção aos ídolos, às fantasias, à mundanidade, à infidelidade”.
“Creio que hoje nos fará bem pensar no Senhor desiludido: ‘Diga-me, Senhor, está desiludido comigo?’. Com certeza sim, por algum motivo. Mas pensar e fazer esta pergunta”, disse na homilia.
Entretanto, Deus “tem um coração terno, um coração de um pai”. Por isso, convidou a pensar se “Deus chora por mim” e “se eu me afastei do Senhor”.
“Quantos ídolos tenho dos quais não sou capaz de me desfazer, que me escravizam? Esta idolatria que temos dentro de nós. E Deus chora por mim”.
“Pensemos hoje nesta desilusão de Deus que nos fez por amor e nós vamos em busca de amor, de bem-estar, de conforto em outro lugar e não em Seu amor”, pediu.
“Nós nos afastamos deste Deus que nos criou. E esta é uma reflexão de Quaresma. Isso nos fará bem. E isso, fazê-lo todos os dias; um pequeno exame de consciência: ‘Senhor, que teve tantos sonhos para mim, eu sei que me afastei, mas me diga onde, como voltar...’. E a surpresa será que Ele sempre nos espera, como o pai do filho pródigo, que o viu chegar de longe porque o aguardava”.
Por Álvaro de Juana

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